Instituto Agronômico, patrimônio do povo brasileiro em segurança alimentar

A imensa maioria dos brasileiros não sabe, mas grande parte do que consome ou irá consumir em sua vida é derivada de variedades alimentares desenvolvidas pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC). São mais de 800 variedades de diversas espécies, com maior resistência a doenças e maior produtividade. O IAC é um dos grandes responsáveis, portanto, por o Brasil ter-se tornado uma potência agrícola, base fundamental de nossa segurança alimentar.

O IAC nasceu como Estação Agronômica de Campinas, em 1885, por iniciativa de lideranças como o conselheiro Antonio Prado. Era o momento histórico de substituição da mão-de-obra escrava pelos migrantes europeus. O café, principal produto de exportação brasileiro na época, demandava maior investimento e avanço tecnológico. O Instituto nasceu nesse contexto, tendo a organização pioneira do polo científico e tecnológico que seria instalado na cidade e região.

A fundação oficial aconteceu no dia 27 de junho de 1887, por decreto-lei e por ação de Rodrigo Augusto da Silva, Ministro da Secretaria de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. Havia a determinação do governo imperial (que estava em seus últimos dias) de criação de unidades que envolvessem pesquisa e ensino agrícola.

Foto Martinho Caires

No caso da nova instituição, prevaleceu o foco na pesquisa, principal preocupação do primeiro diretor, o químico austríaco Franz Josef Wilhelm Dafert. Ele dirigiu o IAC até 1897, justamente no período em que Campinas passou pelos horrores da epidemia de febre amarela. Apesar disso, foram notáveis os avanços na nova instituição, com a criação e estruturação de várias áreas de atuação, no terreno adquirido pelo governo no bairro Guanabara.

     Superação de crises

Contribuir para a superação de crises, para a resolução de grandes desafios, tem sido, aliás, uma das marcas do Instituto Agronômico em seus mais de 130 anos de história. A crise do café que se seguiu à queda da Bolsa de Nova York, em outubro de 1929, por exemplo, foi em parte enfrentada com a disseminação de campos de algodão e milho híbrido, a partir de variedades desenvolvidas no IAC. Isso aconteceu durante a longa gestão de Theodureto de Camargo na direção, de 1924 a 1942, outra época de muitos avanços na instituição em termos de produção científica.

Do mesmo modo, a doença chamada tristeza, que afetou a citricultura paulista na década de 1940, foi superada em decorrência das pesquisas com enxertos coordenadas por Sylvio Moreira. E na década de 1970, o mesmo ocorreu com a ferrugem que infestou os cafezais, vencida pelas pesquisas que já vinham sendo implementadas por Alcides Carvalho, um dos grandes nomes da história do Instituto Agronômico de Campinas.

Foto Martinho Caires

       Meio ambiente

O Instituto Agronômico também papel muito importante na questão ambiental. O pesquisador João Pedro Cardoso, ligado ao Instituto Agronômico e inspetor do 2º Distrito Agronômico de Campinas, publicou em outubro de 1902, no primeiro número da revista do Centro de Ciências, Letras e Artes, denúncia sobre destruição das florestas no Estado de São Paulo (ver aqui).

No começo da década 1960, foram produzidas 25 mil fotografias aéreas, por iniciativa do IAC, documentando a extinção das matas nativas no estado de São Paulo. O levantamento aerofotogramétrico constatou que restavam somente 13,7% da cobertura original de florestas em território paulista, o que contribuiu para uma reação da sociedade e maiores esforços de preservação.

Um dos históricos pesquisadores do IAC, Hermes Moreira de Souza, foi por sua vez responsável pelo “plantio de uma floresta”, na realidade o bosque com 3.500 espécies nativas e exóticas e 400 palmeiras na Fazenda Santa Elisa, um dos campos experimentais do Agronômico.

      Transformações

O IAC chegou a ter 21 estações experimentais, em vários municípios paulistas. Suas seções têm sido responsáveis por inúmeras pesquisas e pelo desenvolvimento de técnicas agrícolas em vários campos. Em 2002 o IAC, mais o Instituto Biológico, Instituto de Economia Agrícola, Instituto de Pesca, Instituto de Tecnologia de Alimentos e Instituto de Zootecnia, passaram a integrar a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA).

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